quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Carta
Aberta das mães, esposas, viúvas, filhos e familiares de policiais militares e
bombeiros militares do Estado da Bahia. Dignidade humana para
quem faz segurança pública na Bahia Sociedade baiana.
Nós,
(mães, esposas, viúvas, filhos e familiares de policiais militares e bombeiros
militares do Estado da Bahia) que vivenciamos a mesma dificuldade que centenas
de familiares de policiais militares e bombeiros do Brasil, queremos com esta
carta expor um pouco do que passamos nos últimos dias com nossos familiares.
É
importante evidenciar logo de início, que o movimento reivindicatório dos
nossos familiares não foi exclusivamente em prol de melhorias salariais. A
grande reivindicação foi pelo cumprimento de uma Lei Estadual "
7.145/97" de mais de 15 anos. Lei esta que foi sistematicamente utilizada
por este governo em seu período de campanha eleitoral e durante toda sua gestão
nunca foi posto em prática mesmo sendo público que se trata de anseio histórico
da tropa.
Agora,
após o movimento, já se fala em cumprir, ainda que parcialmente, provando,
neste sentido, que o que faltou durante esse período foi vontade política,
confirmando que o pleito dos nossos familiares além de justo, foi legítimo.
Acima de tudo, a luta foi por dignidade e respeito, conquistada a duras penas,
apesar do governo se utilizando da imprensa, tentar colocar nossos familiares
como vândalos e marginais; o que não obteve êxito, pois a sociedade compreendeu
os reais motivos e, certamente sabe que os verdadeiros policiais militares
estavam lutando de maneira pacífica e ordeira, não coadunando com atitudes
isoladas que foram verificadas no estado por supostos policiais militares.
É
inaceitável, porém, que apenas nossos familiares, entre todas as categorias do
funcionalismo público, não tenham direito ao exercício democrático do dialogo,
pois tendo apresentado e protocolizado desde 2011 3 (três) ofícios com as
mesmas reivindicações e solicitado abertura para a negociação, não houve sequer
uma resposta, fato que em qualquer segmento causaria indignação, não sendo
diferente com nossos policias militares.
Estivemos
com nossos familiares no pátio da assembléia em sua "área externa",
da mesma maneira que outros movimentos o fizeram e tiveram toda atenção do
governo, inclusive com presença do próprio governador e contando com suporte
material (alimentação, água e banheiros químicos), já para nossos policiais:
cerco de tropas federais, corte de energia e proibição de entrada de
alimentação, água potável e até mesmo medicamentos, além de agressões com tiros
de borracha e gás lacrimogêneo nos policiais e seus familiares.
Lamentavelmente,
fomos vítimas de algo nunca antes presenciado na história deste país, um grau
de repressão jamais visto após o período ditatorial, que tanto foi combatido
por estes que hoje estão no poder. Contudo, o verdadeiro horror começou após o
acordo que pôs fim ao movimento.
A
anistia administrativa, amplamente divulgada pelo governo e comando geral, não
esta sendo cumprida e dezenas dos nossos familiares estão sendo presos
sumariamente sem direito a ampla defesa e ao contraditório como dispõe a
legislação. Mais uma vez acreditamos neste governo e comando e fomos enganados!
Para
este governo não basta descumprir a lei, é preciso debochar... ser arbitrário.
Além das prisões serem ilegais, nossos familiares estão recebendo tratamento
desumano, incompatível com qualquer princípio constitucional. Ressaltamos, sobremaneira,
que nosso objetivo é unicamente o devido processo legal, imparcial e sem
benefícios. Apenas que se cumpra a lei!
Nós,
familiares e a sociedade, seremos os mais prejudicados, pois estes policiais
ficarão marcados para sempre, além de perdermos bons profissionais, isso ecoará
no CIDADÃO POLICIAL MILITAR, independente de ter sido preso ou ter seu colega
preso por lutar legitimamente pelos direitos de toda a tropa.
A
auto-estima do policial militar já é uma das mais baixas entre todos os profissionais,
a cada dia eles enfrentam a criminalidade mais equipada e com mais direitos que
os próprios, além dos péssimos equipamentos de trabalho - a exemplo de viaturas
sem condição de trafego, e armamento defasado- , uma carga horária excessiva e
constante assédio moral protegido pelo regulamento a muito já ultrapassado,
além disso, nossos familiares não têm a mínima possibilidade de vislumbrar
ascensão profissional, uma vez que não existe plano de carreira real.
Já
não tínhamos nossos familiares plenamente conosco por conta das escalas de
serviço anti-social, além dos serviços extras ou "bicos" que são
obrigados a fazer para complementar o orçamento familiar que mesmo assim fica
aquém do necessário para sobrevivermos com dignidade. Sofremos em casa pela sua
falta diária, sem a certeza do seu retorno, já que arriscam suas vidas a cada
serviço.
Agora
sofremos também pela intimidação nas unidades, mudanças nas escalas e
principalmente com as prisões arbitrarias. Existe a ameaça real de que a
perseguição só esta começando, não queremos com isso sofrer, familiares e
sociedade, ainda mais.
Queremos
de imediato: - Cumprimento da anistia adminstrativa e; - Devido Processo Legal
com ampla defesa e contraditório! Juntos somos fortes! Familiares de policias e
bombeiros militares da Bahia Bahia, 23 de fevereiro de 2012
Postado por Capitão Assumção às 15:45
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