Carta de um policial da CIPE
domingo, 5 de fevereiro de 2012
O Bizu recebeu um e-mail do qual estava anexada uma carta de um policial
militar de uma Companhia Independente de Policiamento Especializado. No
texto, o policial retrata sobre as indagações que seu filho faz sobre a
greve da PM. Numa dessas ele te pergunta: Papai você é traidor
"PAPAI, O SENHOR NÃO ME DISSE QUE ERA POLICIAL MILITAR?
Essa foi a pergunta que mudou
minha postura diante da greve da PMBA. Ao me preparar para assumir o
serviço na ESPECIALIZADA na qual trabalho no dia de ontem, fui
surpreendido pela indagação de meu filho de apenas 9anos, estudante do
CPM, que me questionou sobre por que eu iria trabalhar, já que a
imprensa noticia a greve da PM.
Ao tentar explicar a ele o
porquê iria trabalhar ainda assim, ele me surpreendeu com outra pergunta
que me fez refletir sobre a minha imagem diante da minha família e
amigos. A imagem de HERÓI que um pai representa para seu filho e
familiares estava arranhada quando ele me disse que escutou alguém falar
que os PM´s que trabalham nas CIPES são traidores, e essa foi a
pergunta dele “ você é traidor papai?”.
Esse fato mexeu com meu
sentimento mais profundo, e foi um choque de realidade, onde percebi que
ao ser egoísta por uma quantia maior de remuneração, que diga-se de
passagem não ser tão extraordinária assim, estaria traindo a minha
categoria de praças. Ao chegar para assumir o serviço conversei com meus
companheiros de guarnição e resolvemos informar ao nosso comandante de
pelotão que não estávamos mais dispostos a sair às ruas e enfraquecer o
movimento dos verdadeiros HEROIS da PM, que mesmo sem condições de
estrutura e sem maior salário mantém a sociedade da Bahia protegida,
informando também ao meu superior que não gostaríamos de ser lembrados
pelo resto dos dias como traidores tanto pelos nossos irmãos de farda
como pelos nossos familiares.
Essa decisão certamente custará
nossa permanência na unidade na qual ingressei por querer realmente ter
um papel especial na sociedade, e não somente pelo dinheiro extra como
alguns colegas que lá estão. Esse sentimento de traidor não levarei pelo
resto de minha vida, pois independentemente do valor econômico que
represente trabalhar nesta CIPE, o valor moral que isso representa para
mim não tem dinheiro que pague, pois quero continuar sendo um HEROI para
meu filho e família, que são aqueles por quem sempre busquei
proporcionar melhor condição de vida.
Assim queria dizer que me junto
aos companheiros chamados Dorlis, e conclamo aos demais colegas das
CIPES da Bahia e colegas de outras unidades que ainda não aderiram ao
movimento a refletirem se querem levar pelo resto de suas vidas a macula
de traidores para as pessoas mais importantes de nossas vidas."

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